PRINCE OF THORNES Mark Lawrece
Yo! Eis que depois de um longo e tenebroso inverno esse humilde servo que vos fala volta a dar as caras. Você aí, caro leitor, acredita em amor à primeira vista? Eu já havia comentado na minha postagem sobre A Maldição do Tigrecomo a capa de um livro pode ser enganosa e traiçoeira. Sabem quando a arte que estampa uma das obras da livraria é linda de doer, mas o conteúdo segue a via oposta e te decepciona completamente? Então, esse NÃO é o caso de Prince of Thorns.
Prince of Thorns (ou Príncipe dos Espinhos, de uma tradução livre do Google Tradutor inglês) é o primeiro livro da Trilogia dos Espinhos, e por enquanto o único lançado em território nacional. A obra é classificada como Dark Fantasy, uma classificação que eu sequer conhecia até procurar saber um pouco de informações para escrever essa resenha. Ele enquadra histórias que tenham um conteúdo exatamente parelho com o que o nome sugere: fantasias com um tom mais sombrio, leia-se com mais violência.
No livro de Mark Lawrence somos apresentados ao Príncipe Honório Jorg Ancrath. Aos 10 anos o garoto vira a mãe e o irmão mais novos serem brutalmente assassinados enquanto permanecia imóvel sobre os espinhos de uma roseira. Quatro anos depois ele se encontra como um andarilho, vagando pelas terras do “Império” ao lado de seu bando, sendo os membros chamados de “irmãos” entre si (o que sugere laços de uma irmandade herp capitão óbvio).
Essa é a premissa básica. Agora, se você aí imaginou aquele príncipe honrado que vai galgar um caminho politicamente correto para resolver seus conflitos com diplomacia, pode tirar a Rapidash da chuva. O Principe Jorg é um anti-herói, ou seja, apesar de ser o protagonista, suas atitudes não são em nada louváveis. Logo nos primeiros capítulos ele já ateia fogo a uma aldeia, estupra algumas camponesas (antes de incinerá-las) e assassina um de seus irmãos para reforçar sua liderança perante os demais.
É muito legal o livro apresentar isso logo nas primeira páginas, pois assim o leitor não fica enganado sobre o que está por vir. É daí pra pior e, apesar de eu não ficar chocado com essas coisas em uma narrativa medieval, sei que muita gente ficaria. Então nada melhor que apresentar logo de cara o que classifica a obra como Dark Fantasy.
Algumas pessoas podem estranhar o fato de com “apenas” 14 anos Jorg já agir como um (mau) adulto. É válido lembrar que a história se passa em um cenário com ares medievais. Acessando o banco de dados históricos do Calibre Cultural (ou seja, o Google), tem-se que a expectativa de vida durante a Idade Média era de 35 anos! Chegar aos 15 era quase como chegar aos 40 atualmente, mais do que o suficiente para tornar um menino em homem feito.
A ambientação é muito interessante. Apesar de o autor não citar uma data específica nem relacionar os cenários com algum continente do Planeta Terra, durante todo o livro são feitas referências a filósofos que realmente existiram, indo desde Platão e Sun Tzu a Nietzsche. Sendo que esse último viveu no Século XIX, um bom tempo depois da Idade Média, dá para se imaginar que a obra se situa em um Universo Paralelo no qual a o mundo regrediu ao tempo dos castelos e cavaleiros.
A narrativa em primeira pessoa oscila, em capítulos curtos, entre o tempo presente (Jorg com 14 anos), e o tempo de 4 anos atrás. Suas duas linhas de histórias são paralelas, lineares e igualmente interessantes. Em conjunto elas moldam o atormentado protagonista e dão base para todas as suas atitudes “erradas”. Os monólogos interiores de Jorg que evidencia seu ponto de vista sobre as coisas são excelentes e de uma profundidade digna de atenção. Para ele tudo não passa de um jogo. Sabendo o que está na mente da personagem, algumas de suas atitudes cínicas ficam até engraçadas. Principalmente nos capítulos finais eu me pegava dando algumas risadinhas. Um prato cheio para quem gosta de um sarcasmo bem sutil.
A princípio, apesar de deixar claro o objetivo de Jorg, algumas coisas parecem jogadas no ar. Como um menino comando uma corja de assassinos e ladrões bem mais velhos? Se ele busca vingança contra quem matou sua mãe e irmão, por que vagou sem rumo durante 4 anos? As perguntas são todas respondidas, de maneira inesperada até, e o desenrolar da trama apresenta uma crescente pouca vezes por mim lida. A “presunção” de Jorg o coloca em situações que parecem impossíveis, e é extremamente divertido ler como ele lida com cada uma delas.
Os “irmãos” são apresentados principalmente por suas características principais. “O Gordo”, “O Rubro” e “aquele que cozinha” são subtítulos que ajudam o leitor a não se perder na identificação de quem é quem. Apesar disso essas personagens não são muito aprofundadas. Esse foi o único defeito apontado na obra para alguns, mas para mim foi algo completamente compreensível. Afinal, não imagino ladrões e assassinos que passaram a existência vivendo de seus furtos como sendo proprietários de algum grande segredo do universo ou qualquer outro mérito de profundidade emocional.
As reviravoltas estão presentes na trama, e elas são do caralh*! Some isso aos toques de sagacidade e sarcasmo do narrador e aos excelentes diálogos para se obter um dos melhores lançamentos de 2013.
A Editora Darkside, responsável por publicar o livro no Brasil, merece todos os louvores possíveis. Como adiantei no começo da postagem, o livro me comprou pela capa e pela edição em geral. Com capa dura e aveludada, a obra conta ainda com outros mimos, como algumas páginas pretas entre os capítulos que vez ou outra narram algumas curiosidades sobre os irmãos. O preço é levemente salgado se comparado às outras sagas literárias, mas adianto que vale completamente cada centavo.
Minha única crítica fica por conta da “inglesação” da obra. Não sei por que o livro não teve seu título traduzido para Príncipe dos Espinhos, já que ainda assim soaria como algo impactante. Prince of Thorns, por mais que seja um título legal, dificulta um pouco a popularização da obra aqui no Brasil. Pode parecer bobagem, mas ao ligar para algumas livrarias eu tive que soletrar oThorns para que as atendentes conseguissem procurar o dito cujo. Eu mesmo quando o vi da primeira vez achei que tinha sido deslocado da prateleira de livros estrangeiros. Os diálogos se dão por aspas, como ocorre nos livros publicados em inglês, e não por travessão, uma questão de gosto (prefiro os bons e velhos travessões). A lombada que poderia ser igual à da edição americana foi modificada, mas isso é detalhe do detalhe que só o chato aqui critica.
Não é à toa que Prince of Thorns vem sendo aclamado como o novo Game of Thrones. O livro é leitura obrigatória para os fãs de fantasia medieval e muitíssimo recomendado para qualquer um que goste de uma trama bem escrita e bem amarrada e não se importe com algumas doses extras de violência. Só tomem cuidado para não se sujarem com sangue ao
Nenhum comentário:
Postar um comentário