frozenheaderUma aventura congelante e acolhedora.
Em 2012 a Disney nos apresentou Detona Ralph, um filme extremamente elogiado pela crítica e pelos expectadores. E de fato, tivemos um longa muito bom, mas que particularmente em alguns momentos fiquei com aquela sensação de que “faltava alguma coisa”, alguma coisa que sempre transformou filmes da Disney em “mágicos” e próximos de serem nomeados como clássicos.
frozen-posterSurge então em 2013 a animação Frozen, mais um dos filmes baseados em fábulas de Hans Christian Andersen – dessa vez “The Snow Queen”. Na história do filme, duas irmãs, Anna e Elsa, são criadas trancadas dentro de um castelo por causa de um segredo. Elsa possui poderes incríveis de uma feiticeira do gelo, podendo manipular o elemento. Quando crianças, um acidente acaba ferindo Anna, que é cuidada por entidades conhecidas como trolls, mas em troca esquece de todos os poderes de sua irmã, que passa a se isolar em seu quarto e evitar o contato com a caçula. Mesmo com uma trágica morte de seus pais, as duas crescem sem nenhum tipo de contato próximo, até que chega o dia da coroação de Elsa como Rainha e um incidente acaba deixando escapar seu segredo para todo o reino, inclusive sua irmã. Em uma atitude de desespero, Elsa foge e espalha o frio por todo o lugar, e apenas Anne pode conseguir trazê-la de volta.
A proposta de Frozen toma vida utilizando os mesmos conceitos de animação de “Enrolados”, inclusive se passando na mesma linha temporal e mesmo mundo. Com estética em computação gráfica e uma animação de encher os olhos com cada detalhe em evidência, Frozen chegou como uma grande promessa e entregou um dos mais belos filmes da Disney nos últimos tempos. Seja por sua trilha sonora, por sua direção de imagem, por seus personagens ou pela quebra de expectativa em cima de clichês. De fato, uma animação completa dentro de sua proposta e que consegue prender grande parte dos expectadores do mesmo.
Um dos grandes pontos de destaque do filme é o fato das atenções centralizadas entre as duas protagonistas. Apesar do filme ter um “vilão” – também introduzido de forma diferente do que estamos acostumados – as atrações e o grande climax da história estão sempre divididos entre a relação de Elsa e Anna. As cenas iniciais do filme, que apresentam a infância das duas, chegou a ser comparada com o longa “Up”, no sentido em que um grande laço é rompido de forma inesperada. Mesmo após a morte de seus pais Elsa continua trancada e se escondendo de sua irmã para protegê-la, mesmo que isso acabasse custando sua felicidade e uma enorme solidão para ela. Além disso, a passagem também é uma forma de dizer como o ser humano é dependente de sentimentos e de experiências de vida, já que posteriormente tais condutas acabam se tornando essenciais para Anna.
Pode-se dizer que Elsa também protagoniza uma das mais belas cenas que já tive o prazer em ver em uma animação recente (vídeo abaixo), o momento em que ela se “libera” para o mundo e finalmente sente que pode ser ela mesma. Essa por sinal é uma das poucas cenas de felicidade que envolvem a personagem, que é o contraposto de sua irmã. Anna é cheia de vida, disposta a conseguir o que quer e ao mesmo tempo inocente ao acreditar em coisas que ela nunca vivenciou ou que precisa descobrir. A química das duas personagens é envolvente, sincera e tocante. Se durante o filme você sente certa insegurança sobre Elisa, ao final dele você torce e se emociona com a atitude de ambas.
O longa também brinca com clichês de uma forma sutil, como o caso de “Você vai se casar com alguém que você acabou de conhecer?”, algo extremamente comum em outros filmes de princesas da Disney em que o príncipe encantado é o grande salvador e amor eterno da princesa. Isso sem falar de Hanz “contra” Christopher, que até os últimos momentos você se indaga da existência de ambos – e que também causam uma quebra de clichês, que nesse caso dizer seria um spoiler muito grande.
Sobre os personagens secundários, vale destaque para Olaf, o pequeno boneco de neve que ganha o carinho de todos instantâneamente e serve como grande alívio cômico – “Oi, meu nome é Olaf e eu gosto de abraços quentinhos”. Os trolls, parte importante do filme, são os responsáveis pela dose de “magia” que sempre envolve produções da Disney. Também conseguem cumprir seu papel e mesmo não aparecendo como grandes destaques não comprometem o andamento da trama – embora uma explicação ou um desfecho para os mesmo tenha deixado uma pontinha de dúvida no ar.
Alguns críticos chegaram a chamar Frozen de um filme “feminista”, o que sinceramente não sei se é válido. Mas é válido ressaltar na importância e no protagonismo de ambas as protagonistas e no fato delas resolverem a história juntas até o fim do filme. Se em algum momento você pensa que a linha de raciocínio do longa será perdida, rapidamente ela é retomada com alguma virada no enredo ou com a introdução de algum gancho.
Muitos poderão se incomodar com o excesso de músicas durante o longa – e de fato tomam conta de muito tempo da produção – mas isso em nenhum momento consegue sobrepor de alguma forma negativa a produção, se tornando um elemento natural dentro do filme. Na versão brasileira, a dublagem consegue mais uma vez corresponder as expectativas, e apesar de Fabio Porchat ser o escolhido para “a voz famosa” da vez, ele não compromete a caracterização de Olaf e até mesmo em cenas musicais dá conta do recado. De qualquer modo, vale aquela conferida na versão original das canções, e até mesmo em outros idiomas.
Frozen resgata elementos das fábulas e adapta para nosso tempo com mensagens sobre o amor verdadeiro, sobre verdadeiras amizades e sobre as verdadeiras intenções sobre aqueles que nos cercam. Indaga também em certos valores de nossa sociedade e entrega tudo de forma leve e redonda em uma animação voltada para o público infantil, mas que com certeza tem muitas lições para serem transmitidas para adultos.
frozenAinda é cedo para dizer se Frozen chegará ao patamar de clássico, mas o filme corresponde as expectativas e entrega uma produção que soube acertar muito mais do que errar. Ao menos de meu ponto de vista e em meus pensamentos, o filme já ganhou um cantinho especial de carinho. E claro, minhas recomendações. Ah, e a Elsa o meu amor, mas isso é outra história.

FICHA TÉCNICA

Frozen – Uma Aventura Congelante(Frozen)102 min – Animação – 2013 (Estados Unidos)Direção: Chris Buck e Jennifer LeeRoteiro: Jennifer LeeGanhador do Globo de Ouro 2014 de Melhor AnimaçãoIndicado ao Oscar 2014 de Melhor AnimaçãoIndicado ao Oscar 2014 de Melhor Canção Original (Let It Go)