FILMES MAD #01- Frozen
Em 2012 a Disney nos apresentou Detona Ralph, um filme extremamente elogiado pela crítica e pelos expectadores. E de fato, tivemos um longa muito bom, mas que particularmente em alguns momentos fiquei com aquela sensação de que “faltava alguma coisa”, alguma coisa que sempre transformou filmes da Disney em “mágicos” e próximos de serem nomeados como clássicos.
A proposta de Frozen toma vida utilizando os mesmos conceitos de animação de “Enrolados”, inclusive se passando na mesma linha temporal e mesmo mundo. Com estética em computação gráfica e uma animação de encher os olhos com cada detalhe em evidência, Frozen chegou como uma grande promessa e entregou um dos mais belos filmes da Disney nos últimos tempos. Seja por sua trilha sonora, por sua direção de imagem, por seus personagens ou pela quebra de expectativa em cima de clichês. De fato, uma animação completa dentro de sua proposta e que consegue prender grande parte dos expectadores do mesmo.
Um dos grandes pontos de destaque do filme é o fato das atenções centralizadas entre as duas protagonistas. Apesar do filme ter um “vilão” – também introduzido de forma diferente do que estamos acostumados – as atrações e o grande climax da história estão sempre divididos entre a relação de Elsa e Anna. As cenas iniciais do filme, que apresentam a infância das duas, chegou a ser comparada com o longa “Up”, no sentido em que um grande laço é rompido de forma inesperada. Mesmo após a morte de seus pais Elsa continua trancada e se escondendo de sua irmã para protegê-la, mesmo que isso acabasse custando sua felicidade e uma enorme solidão para ela. Além disso, a passagem também é uma forma de dizer como o ser humano é dependente de sentimentos e de experiências de vida, já que posteriormente tais condutas acabam se tornando essenciais para Anna.
Pode-se dizer que Elsa também protagoniza uma das mais belas cenas que já tive o prazer em ver em uma animação recente (vídeo abaixo), o momento em que ela se “libera” para o mundo e finalmente sente que pode ser ela mesma. Essa por sinal é uma das poucas cenas de felicidade que envolvem a personagem, que é o contraposto de sua irmã. Anna é cheia de vida, disposta a conseguir o que quer e ao mesmo tempo inocente ao acreditar em coisas que ela nunca vivenciou ou que precisa descobrir. A química das duas personagens é envolvente, sincera e tocante. Se durante o filme você sente certa insegurança sobre Elisa, ao final dele você torce e se emociona com a atitude de ambas.
Sobre os personagens secundários, vale destaque para Olaf, o pequeno boneco de neve que ganha o carinho de todos instantâneamente e serve como grande alívio cômico – “Oi, meu nome é Olaf e eu gosto de abraços quentinhos”. Os trolls, parte importante do filme, são os responsáveis pela dose de “magia” que sempre envolve produções da Disney. Também conseguem cumprir seu papel e mesmo não aparecendo como grandes destaques não comprometem o andamento da trama – embora uma explicação ou um desfecho para os mesmo tenha deixado uma pontinha de dúvida no ar.
Alguns críticos chegaram a chamar Frozen de um filme “feminista”, o que sinceramente não sei se é válido. Mas é válido ressaltar na importância e no protagonismo de ambas as protagonistas e no fato delas resolverem a história juntas até o fim do filme. Se em algum momento você pensa que a linha de raciocínio do longa será perdida, rapidamente ela é retomada com alguma virada no enredo ou com a introdução de algum gancho.
Muitos poderão se incomodar com o excesso de músicas durante o longa – e de fato tomam conta de muito tempo da produção – mas isso em nenhum momento consegue sobrepor de alguma forma negativa a produção, se tornando um elemento natural dentro do filme. Na versão brasileira, a dublagem consegue mais uma vez corresponder as expectativas, e apesar de Fabio Porchat ser o escolhido para “a voz famosa” da vez, ele não compromete a caracterização de Olaf e até mesmo em cenas musicais dá conta do recado. De qualquer modo, vale aquela conferida na versão original das canções, e até mesmo em outros idiomas.
Frozen resgata elementos das fábulas e adapta para nosso tempo com mensagens sobre o amor verdadeiro, sobre verdadeiras amizades e sobre as verdadeiras intenções sobre aqueles que nos cercam. Indaga também em certos valores de nossa sociedade e entrega tudo de forma leve e redonda em uma animação voltada para o público infantil, mas que com certeza tem muitas lições para serem transmitidas para adultos.
FICHA TÉCNICA
Frozen – Uma Aventura Congelante(Frozen)102 min – Animação – 2013 (Estados Unidos)Direção: Chris Buck e Jennifer LeeRoteiro: Jennifer LeeGanhador do Globo de Ouro 2014 de Melhor AnimaçãoIndicado ao Oscar 2014 de Melhor AnimaçãoIndicado ao Oscar 2014 de Melhor Canção Original (Let It Go)
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